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9.04.2009

ATO PÚBLICO

ATO PÚBLICO CONTRA O CARREFOUR DE OSASCOMOSTRE A SUA INDIGNAÇÃO, VENHA PROTESTAR CONOSCO

Um trabalhador negro foi espancado no Carrefour de Osasco. O caso você já sabe (ler no post abaixo).

Caminhada em protesto e ato público no dia 5 de Setembro em Frente ao Carrefour
Saida do Largo da Estação de Osasco às 9h00

Fórum das Entidades Negras de Osasco e Região Informações e adesões: 011-9633-5960

CARTA DE REPUDIO AO CARREFOUR E À POLÍCIA MILITAR JANUÁRIO TRABALHADOR NEGRO COVARDEMENTE ESPANCADO NO INTERIOR DO CARREFOUR
EM OSASCO A Coordenadoria de Gênero e Raça Órgão do Governo do Município de Osasco e o Fórum Regional Paulista Oeste Metropolitano da Igualdade Racial, vem a público denunciar, repudiar e exigir providências enérgicas e urgentes contra as atitudes truculentas, covardes, preconceituosas e racistas promovidas por seguranças do Carrefour de Osasco, que no último dia 07 de agosto promoveram um espetáculo dantesco de espancamentos com chutes, socos, tapas e até mesmo coronhadas e humilhações verbais e psicológicas, contra o cidadão negro Januário Alves de Santana, que se iniciou no estacionamento do estabelecimento e teve continuidade em uma saleta no interior do supermercado. Os assustadores fatos se deram quando os ditos seguranças suspeitaram que a vítima houvesse furtado um veículo da marca Ford Eco Sport, que era de sua propriedade. Mesmo se identificando como dono do veículo e também como funcionário da Universidade de São Paulo, e que estava ali aguardando a sua esposa que fazia compras ao mesmo tempo em que tomava conta de sua filha que dormia no interior do veículo, Januário foi abordado com muita violência e sob a mira de uma arma de fogo, começou a apanhar e posteriormente foi arrastado para o interior do supermercado.
Segundo o depoimento da vítima os seguranças de maneira acintosa e extremamente preconceituosa diziam em alto e bom som que jamais um negro poderia possuir um carro tão bonito como aquele e a pancadaria só terminou com a chegada da Polícia Militar. A surpresa maior da vítima que imaginou que seria protegido pelos Policiais Militares foi a de novamente ser submetido a humilhações, pois os Pms ao invés de restaurarem a ordem, passaram a suspeitar dele e a fazer observações racistas e preconceituosas do tipo: “Você tem o perfil de quem já tem umas três passagens”. “Você tem cara de ladrão, confessa logo”.
Este episódio nas dependências do Carrefour nos deixa com uma inquietante indagação de quais as providencias que serão tomadas pelas autoridades para que tais fatos não mais aconteçam. Recentemente Osasco sediou a conferencia Regional da Promoção da Igualdade Racial, que reuniu delegados e participantes de 19 municípios, ocasião em que vários temas foram discutidos, com destaque para a questão da segurança pública e as violências criminosas perpetradas conta a população negra enquanto isso o Carrefour e a Polícia Militar do Estado de São Paulo correm à margem da história.
Neste episódio da agressão ao trabalhador Januário a população negra e a sociedade exigem uma total apuração dos fatos e severas punições para os agressores envolvidos. Entendemos que não basta ao Carrefour demitir ou remanejar seus truculentos seguranças, entendemos que os mesmos devem ir para a cadeia e os policiais militares envolvidos também devem ser exemplarmente punidos, e a vítima deve ser ressarcida dos danos físicos, psicológicos e dos danos morais a que foi submetida. Estamos atentos e exigimos respostas imediatas tanto do Carrefour, quanto da Polícia Militar no sentido de que seus efetivos sejam mais adequadamente preparados no trato com a diversidade.

5.14.2009

reflexos do 13 de maio na Folha de S. Paulo

IGUALDADE RACIAL

Ministro ironiza críticas de general sobre cotas raciais

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em evento de lançamento de ações afirmativas para negros, o ministro Edson Santos (Igualdade Racial) reagiu ontem às declarações do general de exército Paulo César de Castro, que, na última segunda-feira, exaltou o golpe militar de 1964 e ironizou as políticas de cotas raciais na educação.
Ao citar a reportagem da Folha que trouxe as declarações do militar, Santos disse, em discurso de improviso: "Esse discurso grosseiro, vindo de uma figura da mais alta patente de nosso Exército, me leva a crer que ainda existe muita gente despreparada ocupando posição de alta responsabilidade com o nosso país".

Na última segunda, o general, principal responsável pelo ensino no Exército nos últimos dois anos, disse que entrou no colégio militar sem a necessidade de cotas.
"[Foi] em concurso, sem que jamais me tivesse sido exigida a cor da pele dos meus pais, avós e demais ascendentes ou me tivessem acenado para integrar qualquer tipo de cotas fossem elas quais fossem", afirmou o general, um dos 14 quatro estrelas (posto máximo) do Alto Comando do Exército.

Ontem o militar foi ironizado pelo ministro. "Ele [general Castro], um cidadão branco, disse que entrou no colégio militar sem precisar de cota. É evidente", disse, interrompido por aplausos e risos dos presentes.

"Ele [o militar] é a própria cota", gritou um integrante do movimento negro presente ao evento.
Santos anunciou ontem, entre outras ações, o plano de implementação de uma lei que obriga a inclusão no currículo escolar da cultura e da história afro-brasileira.

fonte: Folha de S. Paulo - 14/05/2009, página B6

refletindo o 13 em 13 minutos

Até alguns anos atrás o dia 13 de maio era, para imprensa brasileira, um dos poucos dias cujo espaço para o negro era reservado para além das páginas policiais ou esportivas. No entanto, ontem ao abrir os jornais qual foi a minha surpresa?

Não havia uma nota, artigo ou qualquer outra menção a efeméride...surpreendente! Tal fato me fez refletir sobre duas possibilidades:

- ou a data reservada à discussão da comunidade afro, reservada pela imprensa, passou a ser o 20 de novembro e a população não foi avisada,
- ou não ocorrem discussões relevantes na comunidade afro, para ocupar o espaço nos jornais e a página de esportes continua sendo a nossa cota diária.

Agora, o mais inusitado foi que no dia 12 (terça-feira) o Educafro organizou um desfile com modelos negros em frente à Catedral da Sé. O único jornal que públicou nota (com direito a chamada na capa) foi o Metro, os demais não citaram uma palavra sobre o evento.

Mais uma vez pergunto: um evento com modelos negros reivindicando espaço num dos principais eventos de moda, a SPFW, que acontece daqui a um mês, não é relevante?

Quem são estes modelos? Por quais razões eles não estapam os anúncios de moda? Se o mercado de moda está crescendo, porquê não espaço para negros?

Hoje, quando abro o jornal havia uma nota falando do ministro Edson Santos (SEPPIR), em que ele falava sobre um novo programa de ações afirmativas (texto acima). Claro, que mais uma vez a reportagem se ateve em falar das cotas...pois, quando falamos de negros falamos de cotas, apenas disso, não há nenhuma outra discussão pertinente acontecendo na comunidade.

Sei que este texto está num tom amargo, ou até mesmo, irritado...mas, saber que as pessoas se quer sabem quais são os motivos que levam o movimento negro a se mobilizar no Vale do Anhangabaú no dia 13 de maio, ainda me choca...muito!

Ainda ontem um amigo me perguntou, pelo twitter, o que era o dia 13 de maio, expliquei e ele me respondeu "mesmo que fosse feriado eu teria que vir trabalhar, ainda bem que não é". O que eu respondi? Nada. Fiquei em silêncio...

Na semana passada fui ao Congresso de jornalismo cultural, quantos negros compunham a mesa de debate? Nenhum. Quantos negros na platéia? Havia pelo menos duas pessoas: eu e uma jornalista. Aonde estão os negros jornalistas?

Quando vejo que nem mesmo os professores na faculdade levam a discussão para dentro da sala de aula e assumem "a minha abordagem é eurocêntrica", os argumentos me fogem e respiro muito fundo e busco encontrar a diversidade noutros lugares...fora das páginas cinzas dos jornais, da sala de aula, da tv...vou para as ruas e vejo que a maioria das crianças e adultos em situação de rua são negros... e eu, dentro de uma minoria sou negra e jornalista, tentando compreender e modificar o espaço que me foi reservado.